Polícia Civil encerra investigações de duas mortes no trânsito em Araxá

Durante o mês de novembro, dias 10 e 25, duas mulheres perderam a vida no trânsito de Araxá. Ambas estavam na garupa de motocicletas e foram arremessas depois que os motoristas bateram em outros veículos. Apesar da semelhança, a Polícia Civil alcançou conclusões diferentes. Em um dos casos, a soma das penas poderá ultrapassar 20 anos.

Por Danilo 06/12/2019 - 07:29 hs

Polícia Civil encerra investigações de duas mortes no trânsito em Araxá
Ilustativa

PRIMEIRO CASO: 10 de novembro, avenida Vereador João Sena

A primeira morte ocorreu no dia 10 de novembro pela manhã, na avenida Vereador João Sena. Uma motocicleta Honda CBR 600, que tinha a vítima como passageira, se deslocava sentido centro, quando condutor de um automóvel Gol, que seguia na mesma avenida em lado oposto, realizou uma manobra de retorno, vindo a motocicleta bater no carro, fazendo com que a vítima fosse ejetada e falecesse no local.

Colhidos os elementos probatórios, a Polícia Civil concluiu que os dois motoristas, aquele que dirigia o Gol e o motociclista (esposa da vítima) concorreram para o crime. De acordo com a investigação, o condutor do automóvel não empregou a diligência necessária para realizar a manobra, contribuindo para a colisão. Por outro lado, o marido da vítima transitava em velocidade bem superior à permitida.

Nos interrogatórios, o motorista do Gol alegou que teria sido atrapalhado por obstáculos visuais existentes na região e além de um declive existente do outro lado da vida. Policiais civis estiveram no local e descartaram a hipótese. Ao contrário, se este motorista tivesse realizado a parada antes de ingressar no outro sentido, o acidente provavelmente não teria ocorrido. Foi imprudente.

Por outro lado, o motociclista não assumiu que estava em velocidade muito superior a avenida. Contudo, a partir dos dados do acidente, avaliando o tempo gasto para percorrer determinada distância, a Polícia Civil estimou que a velocidade média no momento da colisão era de aproximadamente 116km/h. Caso estivesse dirigindo de maneira mais prudente, em velocidade adequada, conseguiria imobilizar a moto ou desviar do automóvel, provavelmente evitando o choque e a morte da companheira.

Neste caso, os motoristas foram indiciados por homicídio culposo, por entender que agiram com imprudência e negligência. A pena é de detenção, de dois a quatro anos, e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor.


MOMENTO DA COLISÃO


SEGUNDO CASO: 25 de novembro, rua Dona Maroca com Luis Colombo

Para a Policia Civil, o motorista que provocou a morte de K.L.S., 19 anos, no dia 25 de novembro de 2019, à noite, no cruzamento da rua Dona Maroca com Luis Colombo, assumiu o risco de produzir o resultado. De acordo com a investigação, o motociclista teria assumido que no dia do fato havia feito uso de droga. Ficou demonstrado que segundos antes do acidente ele realizava manobras de perícia, transitando em apenas uma roda, estava em velocidade incompatível e desrespeitava a sinalização de parada obrigatória. Ao invadir o cruzamento, bateu contra uma caminhonete e causou a morte da passageira, que foi arremessada a vários metros do local da colisão.

Para Polícia Civil, a soma destes fatores indica que o motociclista assumiu o risco de produzir o resultado morte. Quando o condutor de uma motocicleta, sem ser habilitado, invade uma rua em velocidade incompatível, desrespeita a sinalização de parada obrigatória e causa a morte de uma pessoa, ele assume o risco do resultado.

O motociclista foi indiciado por homicídio, dirigir veículo com a capacidade psicomotora alterada e exibição em manobra de perícia sem autorização da autoridade competente. As penas somadas podem superar vinte anos.

O Ministério Público poderá acolher a conclusão da Polícia Civil, entender a ocorrência de crime diverso ou mesmo retornar com o procedimento para complementação.


FRAGMENTO DA MOTO ENCONTRADO NO LOCAL

Fonte: Policia Civil