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Quinta-feira, 10 de Setembro 2026
Força-tarefa resgata trabalhadores africanos em condições análogas às de escravo na região
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Força-tarefa resgata trabalhadores africanos em condições análogas às de escravo na região

Grupo de 44 trabalhadores, entre brasileiros e africanos, laborava na colheita de batata; verbas rescisórias e indenizações individuais e coletivas somam R$ 888 mil

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Uma operação integrada por integrantes do Ministério Público do Trabalho (MPT), da Auditoria-Fiscal do Trabalho e da Polícia Federal resgatou 44 trabalhadores submetidos a trabalho análogo ao de escravo em uma fazenda localizada na zona rural de Estrela do Sul, no Triângulo Mineiro. A maioria dos resgatados era formada por migrantes oriundos de Senegal e de Burkina Faso, além de trabalhadores brasileiros recrutados para a mesma atividade.

A fiscalização constatou que os trabalhadores atuavam na colheita manual de batatas sem registro em carteira, sem acesso a instalações sanitárias, água potável, equipamentos de proteção individual e local adequado para refeições. Também foram identificadas irregularidades relacionadas à jornada de trabalho, transporte dos empregados e às condições gerais de saúde e segurança no ambiente laboral. As condições verificadas caracterizaram a submissão dos trabalhadores a trabalho análogo ao de escravo, na modalidade de condições degradantes de trabalho, na forma do art. 149 do Código Penal.

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Segundo relatado pela equipe de fiscalização, os trabalhadores eram remunerados exclusivamente por produção. Muitos deixavam de realizar pausas adequadas para descanso e alimentação na tentativa de aumentar seus rendimentos. As refeições eram feitas diretamente no solo, nas frentes de trabalho, sem qualquer estrutura de apoio.

De acordo com o procurador do Trabalho Fabricio Borela Pena, que participou da fiscalização: "os trabalhadores faziam suas necessidades fisiológicas nas próprias áreas de cultivo, incluindo mulheres, em situação de completo aviltamento à dignidade humana."

Após o resgate, os trabalhadores foram encaminhados à Gerência Regional do Trabalho em Uberlândia, onde foram realizados os procedimentos necessários para cálculo das verbas trabalhistas e emissão das guias de seguro-desemprego destinadas às vítimas de trabalho escravo. Eles também receberam atendimento jurídico, psicológico, médico e odontológico por meio do Programa Multidisciplinar de Extensão Mais Humanos, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

Durante as tratativas conduzidas pelo MPT, o empregador firmou Termo de Ajuste de Conduta (TAC), comprometendo-se a cumprir obrigações destinadas a impedir a reincidência das irregularidades constatadas. O acordo prevê ainda o pagamento de indenizações por danos morais individuais aos trabalhadores e indenização por dano moral coletivo.

Ao todo, foram pagos R$ 474.165,57 em verbas trabalhistas e rescisórias, R$ 325 mil a título de indenizações por danos morais individuais e R$ 80 mil por dano moral coletivo. O valor total decorrente da atuação dos órgãos de fiscalização alcança R$ 879.165,57, não computados os autos de infração a serem oportunamente lavrados pelo Ministério do Trabalho.

 

FONTE/CRÉDITOS: Assessoria de Comunicação Social do Ministério Público do Trabalho em Minas Gerais
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Assessoria de Comunicação Social do Ministério Público do Trabalho em Minas Gerais

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